CEVAL e Fórum Oceano juntos na descarbonização da indústria naval

Projeto visa aumentar a competitividade do setor, alinhando-o com os desafios ambientais e regulamentares europeus.

A descarbonização da indústria naval portuguesa está a dar passos firmes com o desenvolvimento do Roteiro Naval Carbono Zero (RNCZ). O projeto, promovido pela Fórum Oceano e pela CEVAL – Confederação Empresarial do Alto Minho, pretende posicionar o setor naval nacional como referência de sustentabilidade e inovação à escala internacional.

O RNCZ tem como objetivo central definir estratégias concretas para a redução de emissões de carbono até 2050, envolvendo estaleiros navais de todas as dimensões, fornecedores e demais agentes da cadeia de valor. Esta iniciativa está alinhada com as exigências do Pacto Ecológico Europeu, da Diretiva de Emissões Industriais e da Regulamentação Europeia de Taxonomia, promovendo uma indústria mais resiliente, eficiente e competitiva. Em entrevista com a Transportes & Negócios, Francisco Araújo, Vice-Presidente da CEVAL, e Gonçalo Santos, do Fórum Oceano, destacaram a importância do Roteiro como uma resposta estratégica aos desafios que se colocam ao setor. Segundo os promotores, “ a transição para uma operação de baixo carbono é não só necessária, mas também estratégica.”

“Esta Confederação Empresarial tem como área de ação toda a região do Alto Minho, onde se localiza um dos maiores estaleiros do país, com uma ligação histórica ao sector da construção e reparação naval”

Francisco Araújo, Vice-Presidente da CEVAL

Forte adesão do setor e trabalho técnico em curso

Ao longo dos últimos meses, foram realizados workshops de auscultação, no Norte, Centro e Sul do país, com uma participação expressiva e representativa de empresas do setor. As sessões permitiram identificar os principais desafios e oportunidades, assegurando que o roteiro será útil tanto para estaleiros de maior dimensão como para pequenas e médias empresas que fazem parte de toda a cadeia de valor.

Estão a ser elaborados relatórios técnicos, com o apoio de entidades como a Haedes, 3Drivers, Qualiseg e Magellan, que têm vindo a realizar estudos de benchmarking internacional, mapeando boas práticas, prevendo tendências e delineando cenários futuros para a indústria naval.

Um roteiro com impacto nacional e europeu

Mais do que um relatório técnico, o RNCZ será um documento estratégico e político, com recomendações claras para os sectores público e privado. Apontará caminhos para a atração de investimento, desenvolvimento de competências, adaptação de modelos de negócio e integração em redes internacionais de inovação e sustentabilidade.

Os promotores consideram, aliás, fundamental que a União Europeia reconheça a importância estratégica das indústrias navais no quadro do Clean Industrial Deal e da futura Estratégia Marítima Europeia, canalizando apoios que permitam às empresas portuguesas liderar esta transição.

Próximos passos

O projeto prossegue com ações de capacitação, e eventos de dinamização do setor onde ” será realizada uma missão inversa, que permitirá ligar as indústrias navais portuguesas aos mercados internacionais. Apelamos para que os stakeholders participem e façam este caminho da descarbonização de forma assertiva”, esclarecem os promotores do projeto RNCZ.

O RNCZ é promovido no âmbito do Programa PRR (Plano de Recuperação e Resiliência). Para saber mais, visite: recuperarportugal.gov.pttransparencia.gov.pt – RNCZ

Siga-nos nas redes sociais: