Evento Final do Roteiro Naval Carbono Zero

Evento Final do Roteiro Naval Carbono Zero reuniu mais de 200 participantes em Viana do Castelo

No passado dia 15 de dezembro, a APDL – Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo, em Viana do Castelo, acolheu o Evento Final do Roteiro Naval Carbono Zero (RNCZ), uma iniciativa que reuniu representantes da administração pública, indústria, academia e clusters europeus para debater os próximos passos da transição energética na Construção, Reparação e Manutenção Naval.

Ao longo da tarde, foram apresentados os principais resultados do projeto e o Roteiro Naval Carbono Zero, seguidos de duas mesas-redondas: uma dedicada à execução da descarbonização a nível nacional e outra centrada nas perspetivas e aprendizagens de clusters europeus na construção naval carbono zero.

Abertura institucional e apresentação do roteiro

A sessão de abertura contou com as intervenções de Rúben Eiras, Secretário-Geral do Fórum Oceano, João Neves, Presidente Executivo da APDL, Luís Ceia, Presidente da CEVAL – Confederação Empresarial do Alto Minho, e Luís Nobre, Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

Seguiu-se a apresentação do projeto e do roadmap para a descarbonização do setor da construção e reparação naval, conduzida por Gonçalo Santos (Fórum Oceano) e António Lorena (3Drivers). O RNCZ, desenvolvido pelo Fórum Oceano em parceria com a CEVAL, identifica um conjunto de medidas estruturadas para reduzir significativamente as emissões do setor naval, promovendo a eletrificação, a eficiência energética, o recurso a combustíveis alternativos e a digitalização.

Desafios e oportunidades para a indústria nacional

A mesa-redonda nacional, moderada por Isabel Soares (FEP), contou com a participação de Marisa Lameiras da Silva (Direção-Geral de Política do Mar), Mário Pinho (AIN – Associação das Indústrias Navais), Jorge Delgado (IPVC & SUSTEMARE) e Nuno Lopes (Grupo ETE). O debate destacou os principais desafios do setor, como a necessidade de capacitação, a falta de mão-de-obra qualificada, o envelhecimento da força de trabalho, as limitações de infraestrutura e o acesso ao financiamento, bem como as oportunidades associadas à transição energética.

Segundo João Neves, o roteiro “mostra que há uma visão clara sobre o que é necessário fazer até 2050”, constituindo “uma ferramenta concreta, estruturada e orientada para resultados”. O responsável sublinhou ainda que a descarbonização representa uma oportunidade estratégica para o porto de Viana do Castelo, que reúne condições únicas para assumir um papel ativo neste processo.

No mesmo contexto, foi anunciado que a APDL está a avaliar um estudo de ampliação do porto, atualmente em fase de avaliação de impacte ambiental, com o objetivo de criar condições para o desenvolvimento da indústria naval e de energias renováveis com menor pegada de carbono.

Perspetivas europeias para a construção naval carbono zero

A mesa-redonda internacional, moderada por Gonçalo Santos (Fórum Oceano), reuniu Gregory Yovanof (Strategis – Maritime Center of Excellence), Leonardo Manzari (WestMED) e Laurence Martin (Federazione del Mare), que partilharam experiências, boas práticas e estratégias adotadas por outros clusters europeus na descarbonização do setor marítimo.

Apoios financeiros e compromisso com a transição energética

Na sessão de encerramento, Francisco Araújo (CEVAL – Alto Minho), promotor do projeto, e Salvador Malheiro, Secretário de Estado das Pescas e do Mar, reforçaram o compromisso com a descarbonização do setor naval em Portugal.

Salvador Malheiro destacou os apoios financeiros em curso, nomeadamente 13,5 milhões de euros do PRR para a transição energética da frota mercante nacional, distribuídos por sete projetos, e 4,7 milhões de euros destinados à adaptação de embarcações para níveis nulos de emissões de carbono. O governante sublinhou ainda a existência de 25 milhões de euros adicionais para apoiar projetos de inovação, descarbonização e digitalização nos setores marítimo e das pescas.

Por sua vez, Luís Ceia, Presidente da CEVAL, salientou a importância de equilibrar competitividade e sustentabilidade, defendendo a necessidade de maior agilização, simplificação e apoio às PME no acesso aos fundos destinados à transição energética.

Um passo decisivo para o futuro do setor naval

O Evento Final do RNCZ contou com a participação de mais de 200 pessoas, afirmando-se como um momento de partilha, alinhamento e compromisso entre os diferentes agentes do setor. O roteiro resulta de cerca de um ano e meio de trabalho, incluindo análises, workshops e sessões de auscultação, envolvendo múltiplos stakeholders.

Como foi referido durante o evento, “há um caminho longo a percorrer”, mas o RNCZ representa um passo decisivo para criar condições de descarbonização, inovação e competitividade no setor naval português, contribuindo para um futuro mais sustentável da economia do mar.

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