O pós-Covid-19 no setor dos vinhos

É importante realçar que, com a quebra de vendas, não houve o escoamento de stock esperado do ano passado e as novas colheitas de 2020 estão a aproximar-se, o que agrava as preocupações dos produtores.

Foto: Vale Mais

Armando Fontainhas – Observador (Presidente da Adega de Monção e Vice-Presidente do Conselho Geral da CEVAL

O mundo está parcialmente parado devido à pandemia de Covid-19 e o setor dos vinhos é um dos mais afetados. As feiras internacionais com grande importância para os produtores, como a ProWein ou a Vinitaly, foram canceladas, o enoturismo está a sofrer um grande impacto e as exportações, que no ano passado bateram recordes, estão agora em forte abrandamento.

Nos últimos dois meses, com o encerramento do canal HORECA, houve uma queda repentina no consumo de vinhos on trade e off trade, com as prioridades e o orçamento das famílias a sofrerem alterações, passando a estar canalizadas para os bens de primeira necessidade.

Com o país a começar a reabrir lentamente, o setor dos vinhos está também a debater-se com um período de imprevisibilidade que se adivinha nos próximos tempos, tanto nos mercados como no consumo. É importante realçar que, com a quebra de vendas, não houve o escoamento de stock esperado do ano passado e as novas colheitas de 2020 estão a aproximar-se, o que agrava as preocupações dos produtores.

É fundamental, nesta altura, que o Estado pense também neste setor, que tão importante é para o País. Criar apoios para as empresas vitivinícolas é fundamental para que os produtores não sofram ainda mais prejuízos e possam começar a pensar no futuro de forma esperançosa.

Uma intervenção pública com o objetivo de destilação para a transformação em álcool seria uma boa opção para o escoamento da colheita do ano passado e para ajudar, no imediato, as empresas que se debatem com as mais variadas responsabilidades que têm em mãos.

No Pós-Covid, estes apoios terão de ser reforçados e diretos, pois o atual nível de stock e a fraca procura pode provocar uma baixa abrupta do preço das uvas, que levará ao abandono da atividade, acentuará o êxodo do mundo rural e a completa desertificação do território.

As cooperativas do setor representam os micro-produtores – lembro que a Adega de Monção conta com 1.600 associados – e ao estarem localizadas em territórios de baixa densidade populacional, pequenos meios rurais, têm um papel único e fundamental na criação de riqueza e na fixação de população no interior.

O cenário é adverso para o mundo vitivinícola, um dos mais importantes da agricultura nacional, mas a Adega de Monção tem trabalhado no sentido de menorizar os efeitos negativos desta pandemia. Além da antecipação do pagamento de 3.4 milhões de euros aos nossos cooperantes, respeitante aos últimos 50% da colheita de 2019, criamos também uma loja online para que os nossos produtos possam chegar de forma direta e segura a casa dos portugueses.

Chegado aqui, recorde-se que a CEVAL tem a decorrer o projeto Welcome to Alto Minho, que tem como objetivo alavancar a competitividade da região do Alto Minho, aumentando o grau de intensidade das exportações e do respetivo processo de internacionalização do setor do Enoturismo.

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