Regras para abertura do comércio

Confederação do Comércio e DGS assinam protocolo. Há recomendações e boas práticas para estabelecimentos comerciais e restauração, venda e reparação automóvel, cabeleireiros e esteticistas e ópticas.

As regras para a abertura do comércio, durante o estado de calamidade, estão prontas e resultaram da iniciativa de auto-regulação da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), seguindo indicações precisas da Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Daí que, na cerimónia da sua formalização, este sábado de manhã, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, tenham sido assinados por João Vieira Lopes, presidente da CCP, e por Graça Freitas, directora-geral da Saúde.

A participação do primeiro-ministro, António Costa, na cerimónia foi simbólica e sinal da importância que o Governo dá à assinatura destes documentos, a que o PÚBLICO teve acesso, para a retoma da economia e da circulação de pessoas mantendo as políticas de combate à pandemia e de prevenção da contaminação de pessoas com covid-19. Mas as regras não são, assim, uma imposição do Governo.

Na cerimónia participaram ainda Ana Mendes Godinho, ministra do Trabalho e Segurança Social, e Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, e Nelson de Souza, ministro do Planeamento, e o secretário de Estado da Saúde, António Sales.

Todas as regras e procedimentos para os trabalhadores de serviços de comércio e para os seus clientes têm como critério base o príncipio de distanciamento social, concretamente a necessidade de manter dois metros de distância entre pessoas e o uso de materiais de protecção individual pelos funcionários e pelos clientes, como máscaras cirúrgicas, óculos de protecção ou viseiras e luvas. São também expressas as regras de higienização e limpeza de instalações e matérias a usar para essa finalidade.

Como documento “chapéu” surge o “Protocolo de Cooperação” (leia em PDF) entre a DGS e a CCP, o texto que foi formalmente assinado por João Vieira Lopes e Graça Freitas. No documento de quatro páginas, a DGS é caracterizada como a entidade que “tem por missão regulamentar, orientar e coordenar as actividades de promoção da saúde e prevenção da doença” e assim é responsável por “planear e programar a política nacional para a qualidade no sistema de saúde”.

O texto sublinha ainda que “são atribuições da DGS, entre outras, coordenar e assegurar a vigilância epidemiológica de determinantes da saúde e de doenças transmissíveis” e ainda dar “a resposta apropriada a emergências de saúde pública, designadamente medidas de prevenção e controlo da actual pandemia covid-19”.

Já a CCP surge caracterizada como a entidade que tem como funções “assegurar, enquanto parceiro social, a representação do comércio e serviços, actuar junto das entidades públicas na defesa do sector terciário”, bem como “organizar e desenvolver serviços destinados a apoiar os associados e desenvolver iniciativas que contribuam para o progresso e reforço da imagem do sector que representa”.

A este documento estão associados quatro manuais de procedimento de acordo com as especificidades de cada serviço comercial. Com carácter mais geral e destinado à maioria dos estabelecimentos comerciais com porta para a rua, incluindo restauração, foi elaborado o “Guia de Boas Práticas para os Sectores do Comércio e dos Serviços”, da autoria da CCP, com regras validadas pela DGS, pela Autoridade para as Condições do Trabalho e pela Autoridade da Segurança Alimentar e Económica.

Para actividades com características específica, foram elaborados três documentos de auto-regulação: “Orientação para a reabertura de estabelecimentos do Sector de cabeleireiros, barbeiros, profissionais de beleza e estética”; “Protocolo Sanitário para o Sector Automóvel”, que inclui o comércio e a reparação de veículos; “Manual de Procedimentos e Boas Práticas” para o sector da optometria.

Estes documentos e as regras neles estabelecidas “têm carácter evolutivo e poderão sofrer alterações”, incluindo serem alterados para adoptar medidas mais restritivas, que venham a ser determinadas, explicou ao PÚBLICO um responsável pelo processo de elaboração destes protocolo e manuais.

Subsídio com 80% a fundo perdido

Na cerimónia do Palácio da Ajuda, o ministro do Planeamento anunciou um sistema de apoio às micro e pequenas para fazer face a despesas específicas criadas pela declaração do estado de emergência a 18 de Março e pelo contexto de pandemia. Esse sistema consiste em “apoios com 80% em subsídio não reembolsável – ou seja, a fundo perdido –, com despesas elegíveis que podem vir desde o primeiro estado de emergência”, afirmou o ministro.

No final da cerimónia, o primeiro-ministro, António Costa, voltou a insistir na necessidade da criação de um clima de confiança: “Para que as pessoas voltem a entrar nas lojas e restaurantes, é necessário que asseguremos que haverá confiança para o fazer”

A cerimónia foi aberta, pelo ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, que afirmou que, em Portugal, “a experiência de consumo, mesmo neste contexto difícil, é segura”, e sublinhou que a preparação em termos de saúde, segurança e higiene dos estabelecimentos “está ao nível dos melhores do mundo”. Siza Vieira salientou ainda que “foi essa cultura de níveis exigentes que nos ajudou a conter melhor a pandemia”.

Por sua vez, o presidente da CCP, João Vieira Lopes” elogiou a “estratégia aparentemente correcta” do Governo para combater a pandemia. Mas lamentou as “consequências económicas extremamente graves no tecido empresarial”, especialmente nas pequenas e médias empresas, que se encontram mais fragilizadas nesta crise, “não apenas em termos da economia geral, mas em particular no emprego”. Por isso, Vieira Lopes olha para a reabertura, a partir de segunda-feira, como “uma necessidade e um risco”

Já a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, lembrou que as modificações das doenças resultam “das alterações das condições ambientais e dos ecossistemas, dos estilos de vida, da globalização e do rápido e intenso fluxo entre pessoas e bem” e afirmou que é preciso reforçar as respostas dos serviços de saúde e concertar as respostas “perante um futuro ainda muito incerto a curto prazo”.

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